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Artigo da Folha sobre ingredientes tóxicos em cosméticos

Não é a primeira vez que a Folha de S. P. publica um artigo alertando sobre os ingredientes tóxicos encontrados em quase todos os cosméticos industrializados. Ainda bem que um jornal de grande circulação faz isso, porque tais ingredientes têm nomes tão difíceis que acabam despercebidos pelo consumidor como sendo perigosos. Como não entendem o que é, também não sabem quais os efeitos sobre o organismo.

Vale a pena ler esse artigo de 21 de setembro e assistir também a esse video (em inglês).

Cosméticos e itens de higiene ocultam ingredientes que podem prejudicar a saúde

IARA BIDERMAN
DE SÃO PAULO

Em uma típica rotina de higiene e beleza, você talvez comece o dia esfregando lauril sufato de sódio em toda a pele e no couro cabeludo.

Depois, pode espalhar diazolidinyl urea no rosto, parabeno no corpo e passar sal de alumínio nas axilas. Certos dias, talvez inclua camadas de formaldeído nas unhas e de peróxido de hidrogênio e amônia nos cabelos.

Marcelo Justo/Folhapress
Cosméticos e itens de higiene ocultam nas suas fórmulas ingredientes que podem prejudicar a saúde
Cosméticos e itens de higiene ocultam nas suas fórmulas ingredientes que podem prejudicar a saúde

Você pode não ter a menor ideia do que sejam essas substâncias, mas elas estão na maior parte dos cosméticos –sabonete, xampu, hidratante, desodorante, esmalte e tintura para cabelos.

E daí? São substâncias proibidas? Não, mas podem significar riscos à saúde. Segundo associações de consumidores, fabricantes de cosméticos, mesmo sabendo disso, continuam usando esses ingredientes e não divulgam os problemas relacionados a essas substâncias.

Terrorismo verde? Bem, o vídeo “The Story of Cosmetics” (www.storyofcosmetics.org), que aponta os potenciais perigos de componentes encontrados na maioria dos cosméticos, pode deixar muita gente aterrorizada.

No vídeo, câncer, distúrbios neurológicos e infertilidade são associados a xampus, cremes, desodorantes e até itens para bebê. O intuito é alertar sobre o perigo oculto nas fórmulas e pressionar as autoridades para aumentar o controle sobre os produtos de beleza e higiene, proibindo os mais tóxicos.

Mas ninguém controla o que vai no creminho que você passa ao redor dos olhos ou no talquinho do bebê?

Mais ou menos, dizem os militantes dos cosméticos “limpos”. Como boa parte dos testes de segurança é fornecida pelos próprios fabricantes, resta uma enorme margem de dúvida sobre os resultados apresentados.

No Brasil, o terceiro maior mercado de cosméticos do mundo, é a Anvisa que regulamenta esses produtos.

QUESTÃO DE DOSE

A agência divide os cosméticos em dois grupos. O grau 1 inclui os considerados mais simples na formulação e nos efeitos prometidos, como condicionadores, xampus, sabonetes. Esses não são submetidos à análise. Basta uma notificação da empresa.

Os produtos grau 2 (alisantes, antitranspirantes, tintura de cabelo) precisam de registro e passam por análise técnica. Os fabricantes têm de apresentar documentos para comprovar que as substâncias estão dentro dos limites considerados seguros.

Aí que a coisa pega entre os militantes dos cosméticos limpos e a indústria. Respaldados pela lei, fabricantes dizem que, embora alguns itens sejam tóxicos, as doses usadas não oferecem riscos.

Afinal, homeopatas (mais afinados com o povo “limpo” do que com a indústria química) são os primeiros a dizer que a diferença entre veneno e remédio está na dose.

O time que luta por cosméticos mais seguros admite que a química de cada produto, individualmente, não faz mal. Acontece que ninguém usa um só. Calcula-se que, por dia, mulheres usem dez e homens, seis produtos.

Dia após dia, ano após ano, pequenas quantidades de produtos tóxicos vão se acumulando no organismo.

“Em longo prazo, esses cosméticos trazem problemas”, diz Edilene Costa, da Abrapan (Associação Brasileira de Produtos Artesanais, Naturais e Bem-Estar) -criada para apoiar empresas de “produtos naturais” (conceito vago e sem regulamentação clara) e conscientizar o consumidor da importância desses produtos para a saúde e o ambiente.

No site da Abrapan (www.abrapan.org.br) há uma lista de substâncias inseguras encontradas em cosméticos. É um começo.

“O consumidor deve ler os ingredientes que compõem o produto e buscar informação”, diz Costa.

Não é tão simples. As letras são minúsculas nas embalagens, e há siglas indecifráveis para quem não é formado em química.

Você pode fazer uma busca no banco de dados de cosméticos seguros do EWG (grupo de trabalhos ambientais, na sigla em inglês). No site www.cosmeticdatabase.com, você digita o nome da substância para descobrir os tipos de risco que oferece e em que produtos aparece.

Superada a dificuldade de decifrar a fórmula, vem outra questão: encontrar alternativas seguras de produtos.

No Brasil, não há um regulamento oficial para cosméticos ecológicos, orgânicos ou naturais. Uma saída é procurar produtos com selos de certificadoras reconhecidas, como a Ecocert, que tem origem francesa e ramos em vários países, incluindo o Brasil, e o IBD, que trabalha com as certificadoras NSF (EUA) e a Natrue (Europa).

A outra dificuldade é se acostumar com produtos que não usam as substâncias químicas habituais.

“Na percepção do consumidor, cosmético natural não tem muita eficácia”, crê Christine Itagaki, gerente da Weleda, marca suíça de cosméticos e medicamentos.

Para Clélia Angelon, presidente da Surya, marca brasileira de cosméticos orgânicos certificados, o brasileiro ainda confunde aspectos sensorais do produto -fazer espuma, ter determinado aroma- com eficiência.

“É preciso educar o consumidor. Já temos [no Brasil] várias opções de cosméticos sem substâncias tóxicas e de excelente performance”, diz.

ARMAS QUÍMICAS OCULTAS NA SUA NÉCESSAIRE

O que estão colocando dentro do seu cosmético:

PARABENO

É um conservante presente em 90% dos cosméticos. Tem a finalidade de evitar a contaminação microbiana, garantindo a segurança de uso. A agência de vigilância sanitária regula o limite de uso da substância. A concentração considerada segura foi baseada em estudos internacionais. Há muitos estudos mostrando que os parabenos contribuem para o desenvolvimento do câncer em pessoas predispostas. Outros trabalhos trazem evidências de que a substância afeta o sistema hormonal.

DIAZOLIDINYL UREA

Outro tipo de conservante, que pode ser usado em maquiagem, cremes para unha e cabelos, pós-barba e loções hidratantes. A Anvisa regula o limite de uso em concentrações consideradas seguras. O produto pode causar alergias na pele e ser tóxico para o sistema imunológico, segundo alguns trabalhos publicados.

LAURIL SULFATO DE SÓDIO

Aprovada pela Anvisa, a substância tem ação detergente e a capacidade de formar espuma. É muita usada em xampus e sabonetes. Pode ser encontrada até em pasta de dentes. Pode causar irritação na pele. Também pode, por reações químicas ou contaminação, gerar um subproduto, chamado 1,4 dioxane, que não tem uso aprovado e é considerado cancerígeno.

AMÔNIA

Usada para abrir as cutículas dos fios de cabelo para que recebam outros produtos (descolorantes, tinturas, alisantes, permanentes etc.), tem os limites de segurança de uso dispostos pela Anvisa. É irritante das vias áreas e da pele. Estudos mostram que tem efeito cumulativo no organismo.

PERÓXIDO DE HIDROGÊNIO

Mais conhecido com água oxigenada, é usado para clarear pelos e cabelos e como neutralizante em processos de alisamento, relaxamento, permanentes e tinturas. A Anvisa controla os limites de uso, diferentes para produtos para cabelos e para clareamento de pelos. Irrita a pele. Estudos apontam que pode afetar o sistema endócrino.

FORMALDEÍDO (FORMOL)

A Anvisa aprova o uso como conservante em concentração máxima de 0,2% e como endurecedor de unhas até 5%. O uso como alisante capilar não é permitido pela legislação. Esse uso, segundo a Anvisa, pode causar irritação, coceira, queimadura, inchaço, descamação e vermelhidão do couro cabeludo, queda de cabelo, ardência dos olhos, falta de ar, tosse, dor de cabeça, ardência e coceira no nariz. Várias exposições podem causar câncer nas vias aéreas superiores.

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Menos é muito mais

Primeiro, começou com os alimentos quando comecei a questionar as verduras e legumes que eu comprava no supermercado. Isso já deve fazer uns 10 anos ou mais… Hoje, opto sempre pelos orgânicos, sempre que dá. Depois foram os alimentos industrializados que contem conservantes artificiais. São os molhos prontos, os enlatados, os miojos, os salgadinhos, etc. Hoje o único enlatado que compro de vez em quando são os tomates pelados inteiros. Miojo nunca mais. Quando me oferecem doces e salgados industrializados, eu até aceito alguns, mas raríssimamente compro.

E por último, o meu mais recente vilão são os cosméticos industriais (a maioria deles, isto é). Desde pré-adolescente eu sempre passei creme hidratante em todo o corpo. Todos os dias depois de cada banho. Comecei a questionar esse hábito quando li um artigo na Folha de SP sobre os parabenos e outras substâncias químicas encontradas na maioria dos hidratantes e outros cosméticos. Pesquisei mais sobre os parabenos, que são suspeitos de causarem câncer de mama e alergias. Este é um dos vários artigos disponíveis na internet. Desde então, sempre leio o rótulo dos cosméticos antes de comprar e a maioria deles, realmente tem algum tipo de parabeno, que é um conservante para aumentar a vida útil de prateleira desses produtos.

Comecei a só procurar cremes na L’Occitane ou em lojas de produtos naturais. Os melhores cosméticos naturais e sem parabenos e outras substâncias indesejáveis como óleo mineral, encontram-se na Weleda, farmácia antroposófica de origem alemã. Só que os preços desses produtos acabam ficando muito caros com os impostos de importação brasileiros. Uma pena porque são realmente muito bons e pra mim que sou adepta da filosofia antroposófica, não teria produtos melhores pra usar diariamente. No ano passado encontrei no Caminhos da Roça, uma empresa que me entrega alimentos orgânicos todas as semanas (recomendo, para quem quer receber em casa verduras, legumes, outros alimentos e produtos de limpeza orgânicos), um creme hidratante muito bom da Magia dos Aromas. É livre de parabenos e óleos minerais e contem matéria prima orgânica de origem vegetal. Acho que eles também tem a ver com antroposofia, pois fica em Botucatu, no mesmo local onde encontram-se o Institutuo Biodinâmico e o sítio Alvorada.

Só que mais uma vez, o problema é o preço. Minha pele é bastante seca no corpo e precisa de bastante hidratação. O potinho de 120 ml acaba muito rápido e custa mais de R$30,00. É realmente um creme maravilhoso e a qualidade justifica o preço, mas precisava encontrar uma solução melhor justamente quando estava lendo “Aromaterapia Holística” que comentei num post anterior. Lá, encontrei minha provavelmente definitiva solução para hidratar o corpo.

É um óleo corporal feito em casa com apenas 3 ingredientes: óleo de abacate como óleo catalisador (pode ser qualquer óleo vegetal, mas os mais indicados são óleo de amêndoa doce, óleo de abacate, óleo de germen de trigo, óleo de semente de uva e óleo de farelo de arroz), óleo essencial de alecrim e óleo essencial de palmarosa. Aqui entra um pouco de conhecimento sobre aromaterapia e o legal é cada um fazer a sua própria combinação de óleos essenciais. A quantidade de óleo essencial precisa ser de 1.5 a 3% do óleo catalisador. Eu escolhi a minha mistura pelas seguintes razões. O óleo de abacate é um óleo maravilhoso, rico em vitamina E, portanto anti-oxidante e anti-envelhecimento, e de fácil absorção pela pele. O óleo essencial de palmarosa pela sua qualidade hidratante. O de alecrim é estimulante, portanto ótimo para depois dos banhos matinais, é adstringente, anti-séptico, desintoxicante, estimulante circulatório inclusive linfático, alivia dor de cabeça e cansaço mental, entre muitas outras propriedades benéficas.

Fiquei muito feliz com o resultado. Tenho agora um óleo muito cheiroso e com todas essas propriedades maravilhosas e feito pro mim em casa. Fico aliviada por conseguir abandonar mais um item industrializado da minha rotina e principalmente do meu corpo. Mais uma observação para quem acha que o que passamos na pele é superficial e portanto não tem tanta importancia; a pele é o nosso maior órgão e ela absorve o que passamos nela pelos seus inúmeros poros. O que ingerimos através desses poros entra diretamente na corrente sanguínea, sendo assim mais ainda merecedora de atenção do que os alimentos que ingerimos, que tem suas partes tóxicas selecionadas e eliminadas pelo estomago, pancreas e outros órgãos antes de entrar na corrente sanguínea.

Mais um cosmético industrial que abandonei: o tônico facial, aquele líquido que passamos depois de lavar o rosto e antes de passar o hidratante. Substituí pela água de flor de laranjeira, que pode muito facilmente ser encontrada nas lojas de produtos árabes ou no Mercado Municipal. Também aprendi no livro “Aromaterapia Holística”. É ótimo para quem tem a pele do rosto mais para oleosa ou mista. Para quem tem pele seca no rosto, é mais indicada a água de rosas. Custa de R$14,00 a R$18,00 e a garrafa tem 350 ml, bastante né. Além de ser livre dessas substâncias indesejáveis, o cheiro é maravilhoso, tanto da de flor de laranjeira quanto da de rosas. Eu uso essa água também para fazer máscara de argila. É ótimo!

Aos poucos vou me livrando da dependência da indústria cosmética tão invasiva e tão pouco responsável. Acho que já acabou a época em que acreditamos nas campanhas publicitárias com rostos de top models e atrizes mega retocados para comprar um creme. Fora que o preço do creme tem que pagar o cachê milionário da modelo e o custo não menos milionário das campanhas, aumentando em muito além do valor real do próprio creme. Acho que já estamos entrando em outra época…