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Soap #6 Erva-doce

Produção: 08/03/2010

Liberado: 06/04/2010

Sabe aquele azeite que ficou macerando com erva doce? Fiz um sabonete com ele. A erva-doce tem efeito aquecedor e é anti-séptico, tonico e antitóxico e foi considerada uma erva mágica por várias culturas. As sementinhas que coloquei a mais no sabonete servirão como esfoliante também. Esmaguei-as para ficar um pouco mais suave em contato com a pele.

Receita

  1. azeite extra virgem macerado com sementes de erva-doce
  2. óleo de babaçu
  3. óleo de palma
  4. óleo de macadamia
  5. água purificada
  6. soda cáustica
  7. óleo essencial de erva-doce
  8. sementes de erva-doce

Como já escrevi na página “Sobre o blog”, estas receitas que publico aqui são para o meu próprio registro e não recomendo que ninguém as siga sem um conhecimento prévio sobre o processo da fabricação de sabonetes. O processo que eu uso é o chamado cold process (processo a frio). O uso da soda cáustica requer um cuidado muito grande, caso contrário pode se tornar um perigo para a saúde humana. O objetivo do blog não é ensinar a fazer sabonetes, por isso não coloco aqui o passo a passo desse processo. Existem inúmeros sites que o fazem que podem ser consultados.

Desenformando o meu primeiro sabonete

Pronto! Despois de muita ansiedade, as 24 horas se passaram para poder desenformar o meu primeiro bebê, que ficou enrolado numa toalha no escuro, bem quentinho. Muita emoção!

Parece um caramelo gigante! Bom, o formato não ficou muito retinho, acho que por causa da caixinha de leite que estava deformada e também, a massa ainda estava um pouco mole e afundou um pouquinho em algumas partes com os meus dedos na hora de desenformar. Mas depois que cortei no formato final, acho que não ficou tão ruim! Ficou fofo! Gostei da cor e da textura das faces do corte. O cheiro do óleo essencial que eu achei que tinha sumido se manifestou, mesmo que bem de leve. Que bom. Mas acho que precisa mesmo ser duas colheres de chá e não uma.

Cortei os sabonetes numa espessura de 2.5 cm, o que resultou em oito (na verdade, sete e meio…) pedaços de uns 95g cada.

Tentei marcar os sabonetes com um carimbo, mas não deu muito certo :(  A massa ainda estava muito macia e talvez o relevo do carimbo precise ser mais alto, não sei…

Bom, agora é que começa realmente a maturação, de 4 semanas. Acondicionei os sabonetes numa caixa de papelão forrada de papel manteiga, coloquei uma folha com a data de hoje e fechei a caixa. Deixei por enquanto no banheiro de visitas, mas na verdade, não sei muito bem onde colocar, precisa ser um lugar escuro e bem ventilado. Escuro, para o óleo não oxidar. Bem ventilado, porque mesmo bem lentamente, ele ainda está fazendo o processo de saponificação e nesse processo, o sabonete “transpira”, soltando umas gotículas de água. É assim que ele vai perdendo líquido para ficar um sabonete mais duro.

Não vejo a hora de poder experimentar o meu primeiro bebê! Mas 4 semanas são 4 semanas, melhor fingir que ele não existe e pensar no próximo.

My first batch!

Começou hoje a minha nova experiência com sabonete feito à mão (já é ontem na real, porque estou bloggando às 4 horas da manhã)! Na verdade, começou ontem quando elaborei minha primeira receita, e hoje coloquei a mão na massa. Foi muito incrível terminar e derramar a massa do meu primeiro sabonete dentro da forma! Agora o meu bebê está enrolado numa toalha no quentinho e no escuro, descançando para passar as 24 horas necessárias antes de abrir e deformar para ver se deu certo.

Meu professor são 2 livros japoneses da mesma autora, a Yukiko Obata, uma japonesa que mora em Nova York e escreve sobre e dá aulas de sabonete feito à mão. Os livros japoneses são sempre muito bem explicados e com muitas fotos e muitas informações, além de serem bonitos no design e nas fotos. São tão bons, eu amo! Depois de ler os dois livros com cuidado e entender bem o processo de fazer um bom sabonete, resolvi entrar logo em ação e fui até a zona cerealista do centro de São Paulo para comprar os óleos e os outros ingredientes. Depois eu quis passar na Rua Paula Souza também, para comprar panela, e outros equipamentos para usar exclusivamente para fazer sabonete (por causa da soda cáustica que usamos no processo, não podem ser os que usamos para cozinhar), mas não sabia que ali fechava cedo aos sábados, todas as lojas estavam já fechadas às duas da tarde. Mas tudo bem, resolvi usar uma panela que tenho em casa e depois compro outra pra substituir para cozinhar.

Já tinha em mente que queria usar óleo de coco, azeite extravirgem e azeite de castanha do pará, e talvez algum outro óleo como o de macadâmia. Também precisava do óleo de palma, que tinha aprendido que tem a função de endurecer bem o sabonete e deixar ele difícil de desmanchar na água, mas achei que ia ser difícil de achar. Acabei comprando todos menos o de castanha do pará e o de palma, que não encontrei. Fiquei na dúvida se o óleo de palma seria igual ao azeite de dendê, já que eu acho que o dendê seja um tipo de palma, mas achei um pouco hardcore colocar azeite de dendê num sabonete! Comprei também açaí em pó, mel e calendula. Cheguei em casa e sentei para consultar um pouco mais o meu professor e depois elaborar a minha própria receita. Não é difícil, mas precisa fazer alguns cálculos porque a taxa de saponificação difere para cada óleo e com isso muda a quantidade da soda cáustica.

Então, a receita do meu primeiro sabonete eu elaborei assim:

Receita # 1 (ainda não pensei num nome para batizá-lo…)

  1. óleo de coco
  2. azeite extra virgem
  3. óleo de macadamia
  4. água purificada
  5. soda cáustica
  6. óleo essencial de laranja doce
  7. pétalas de calendula
  8. mel

Observação: descontei 10% na quantidade da soda cáustica para garantir que não tenha mais nenhum traço dela depois de todo o processo e também para deixar o sabonete “super fat”, isto é, com excesso de gordura, ou seja, de fator hidratante.

Na manhã seguinte, hora de colocar em prática toda a teoria! Coloquei a cozinha em ordem, forrei a mesa com jornal e com os dois livros numa mão, fui colocando todos os equipamentos na mesa. Balança digital, termômetro, um bowl, dois vidros, um sem tampa e outro com tampa, uma panela, um fouet, uma espátula de silicone, um par de luvas de borracha, colheres medidoras, um copo medidor, e a forma que eu confeccionei com uma caixa de leite usada. Com os ingredientes também prontos na mesa, comecei medindo a água e a soda cáustica e depois juntando as duas coisas. Era a primeira vez que eu trabalhava com soda cáustica (exceto por quando tentei desentupir um banheiro com algo parecido…) e fiquei tomando a maior precaução, mas foi tudo bem sem espirrar nem uma gota.

Assim que a soda cáustica entra em contato com a água, o líquido começa a esquentar e logo o vidro ficou bem quente. Coloquei o vidro dentro do bowl com água para baixar a temperatura para 45 ºC. Enquanto esperava, fui medindo os três óleos e juntei tudo na panela. Coloquei a panela no fogo até a mistura dos óleos atingir 45 ºC também. Assim que isso aconteceu e verifiquei que a água com a soda cáustica também estava com a mesma temperatura, derramei lentamente essa água na panela dos óleos. Imediatamente o óleo começou a ficar com uma coloração leitosa.

Desse momento em diante, eu teria que bater essa massa ainda líquida com o fouet durante uns 15 minutos, até engrossar um pouco e formar um traço fino quando levantasse o fouet e deixasse cair um fio da massa tentando desenhar um zigzag. Isso é chamado de formar um “trace”. O livro falou 15 minutos, mas na realidade, demorou mais de meia hora! É sério. Até o meu amigo Pedro me ajudou um pouco no trabalho braçal, mas realmente demorou muito. Acho que faltou braço, mas também tinha lido que o azeite é um óleo que deixa mais longo o tempo de bater. Bom, é a minha primeira vez, afinal. Tudo bem, eu fui continuando com fé até realmente o tal do “trace” aparecer.

Foi nesse momento que juntei o óleo essencial, que acabei reduzindo de duas colheres de chá para uma, por de repente achar que seria um pouco demais. Bati mais um pouco e acrescentei o mel, que dessa vez por engano medi com a colher de sopa em vez da de chá e daí acabei mudando de duas colheres de chá para uma de sopa. Dei uma esquentada de leve no mel antes de acrescentar à massa para ela ficar mais líquida e mais fácil de ser incorporada pelo resto.

Depois disso, era preciso bater por mais uns 10 minutos! Isso é para engrossar ainda mais a massa até o “trace” ficar mais gordo. Lá fui eu até atingir a espessura ideal. Não quis parar antes para não ficar um sabonete muito mole e fácil de derreter, já que eu já estava preocupada com a falta de um óleo como o de palma, com efeito endurecedor. Na verdade, o óleo de coco também tem o efeito endurecedor, mas em compensação derrete com facilidade na água, segundo meus livros professores. Num deles, a maioria das receitas apresentadas substitui o óleo de palma com banha de porco, mas se eu não como carne de porco, como é que eu iria usar a sua banha para fazer meus sabonetes? Nem pensar. Resolvi ir em frente com os óleos que eu consegui e talvez prolongar o tempo de maturação. Não sei se isso será suficiente, mas vamos ver.

Depois que eu atingi o “trace” grosso, pensei que seria hora de finalizar. Coloquei as pétalas de calendula na massa, misturei e finalmente derramei a massa na forma. Esse momento foi bem incrível! Parecia um doce de caramelo, uma consistência incrível! Só o cheiro que achei que podia ter colocado mesmo as duas colheres de chá do óleo essencial. Achei que o cheiro de laranja doce ficou apagado na mistura. Bom, mas tudo isso já anotei no caderno para servir de referência para os próximos.

Fechei a forma com filme PVC e enrolei com uma toalha para o descanço de 24 horas. A reação química de saponificação vai continuar sozinha durante esse tempo e o sabonete vai esquentar e endurecer. Amanhã vou poder abrir e conferir se deu certo, desenformar o sabonete e cortar no tamanho final dele. Depois disso, vai ficar dormindo por mais no mínimo 4 semanas para endurecer mais ainda e maturar até que a soda cáustica se transforme por completo em sabonete para finalmente poder ser usado. Uma autêntica gestação!

Enquanto isso, para não ficar ansiosa, vou elaborando outras receitas para os próximos batches! Ah, e como eu modifiquei durante a produção algumas quantidades da receita que originalmente elaborei, aqui vai a receita que de fato foi executada.

Receita # 1

  1. óleo de coco | 200g
  2. azeite extra virgem | 146g
  3. óleo de macadamia | 154g
  4. água purificada | 170g
  5. soda cáustica | 71g
  6. óleo essencial de laranja doce | 1 colheres de chá
  7. pétalas de calendula | 1 colher de sopa
  8. mel | 1 colheres de sopa

* pics by Pedro de Oliveira Pinto