soap # 10 Alecrim

Junto com as folhas de lavanda, a minha amiga Andrea me deu também alguns galhos de alecrim que ela cultiva. Fiz com ele um óleo macerado também. Coloquei 10 g de alecrim recém colhido dentro de um vidro com 220 g de azeite extra virgem e deixei macerando durante cinco semanas. Diferentemente da lavanda, o alecrim não deixou um aroma no óleo tão acentuado, por isso, decidi incrementar com óleos essenciais. Fiz uma mistura de alecrim com manjerona. Ficou bem herbáceo e gostoso. Para você fazer uma mistura de óleos essenciais para a produção de sabonetes, o ideal é misturar algumas horas antes de adicionar na massa do sabonete, pois assim os diferentes óleos têm o tempo de fazer a sinergia e assim nasce um novo aroma harmônico dessa junção. É muito legal essa brincadeira alquímica.

O alecrim é uma erva e tanto. Ela é bastante estimulante, adstringente e agindo no sistema nervoso e circulatório, combate dores de cabeça. Assim como a camomila do post anterior, também é um tônico para a digestão e estimula o fígado. Só que tem que ter muito respeito e usá-la moderadamente, pois o óleo essencial de alecrim em grandes quantidades pode ser tóxico. Pessoas com epilepsia e mulheres grávidas deveriam evitá-lo.

O óleo essencial de manjerona tem algumas qualidades parecidas com o alecrim e também, do ponto de vista emocional, é um aquecedor do coração, afastando a solidão e o pesar. É considerada uma planta yang.

Tem algumas novidades que introduzi nesse sabonete. A primeira é a substituição do óleo de babaçu pelo óleo de palmiste. O de palmiste é retirado da mesma planta do óleo de palma, mas de uma parte diferente dela. Ele tem quase as mesmas características do óleo de coco ou de babaçu, produz um ótimo sabonete com espuma abundante e com grande capacidade de lavagem. Isso é o que eu li. Agora preciso ver como fica na vida real. Vou saber daqui a 20 dias quando este sabonete ficar liberado para uso.

A segunda novidade é o uso do óleo de rícino. É também conhecido como óleo de mamona. Este é um dos poucos óleos não comestíveis (o único, por enquanto) que estarei usando nos sabonetes, mas é um ótimo óleo para sabonetes. Ele só não é comestível por causa do seu gosto ruim e pelas suas características laxantes. Ele até é comercializado como um remédio laxativo chamado Laxol. Mas para a pele e o cabelo ele é maravilhoso, pois é rico em ácidos graxos e é humidificante. Dizem que atenua as rugas! Tem a característica de chamar a humidade do ambiente para si e dá para ver isso na sua textura, um pouco gosmenta, bem diferente de outros óleos vegetais. É um óleo muito interessante e o meu livro professor diz que quando se adiciona na mistura de óleos, produz um sabonete com uma bela espuma bastante macia. Vamos ver no que dá.

A terceira novidade é a manteiga de muru muru. Estou adorando essas manteigas vegetais. Ela é da região amazônica e é retirada de uma palmeira com o mesmo nome. É uma gordura vegetal com alto ponto de fusão, o que significa que ela é sólida mesmo em temperaturas altas (32ºC). Por causa disso, sua participação no sabonete deve trazer solidez, o que é ótimo para a sua longevidade. Ela também é maravilhosa para a pele e o cabelo, altamente nutritiva e emoliente. É uma manteiga branca e quase sem cheiro.

Acho que promete ficar um super sabonete!

Produção: 16/04/2010

Liberado: 14/05/2010

Receita

  1. azeite extra virgem macerado com alecrim
  2. óleo de rícino
  3. óleo de palma
  4. óleo de palmiste
  5. manteiga de muru muru
  6. água purificada
  7. soda cáustica
  8. óleo essencial de alecrim
  9. óleo essencial de manjerona

Só rolou um pequeno inconveniente no dia do desenforme e corte. A massa ainda estava um pouco mais mole do que o habitual e o corte não saiu muito bem. A massa grudava na faca e as barras ficaram um pouco feinhas 😦  Decidi desde então que esperarei sempre no mínimo 48 horas no lugar de 24 antes antes de desenformar e cortar. Tem dado mais certo. Mas eu desconfio que o óleo de rícino contribui com esse aspecto mole, por causa da sua própria textura gosmenta.

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7 Respostas para “soap # 10 Alecrim

  1. Oi !!! Lendo seu blog, foi como voltar a 6 anos atras, quando comecei a fazer sabonetes a frio…..os mesmos testes, as mesmas dúvidas, a mesma ansiedade para desenformar o batch e usar. Mas ainda hoje é um processo magico, ainda hoje me encanto com cada barra desenformada….desejo que a sua busca neste caminho perfumado seja tão feliz como é a minha, pq ainda hoje, depois de tanto tempo, vou descobrindo novas tecnicas, novas cores, novos aromas.

  2. Oi Sachi
    vc tem algum email no qual posso te enviar algumas ideias?
    abs
    Julia

  3. Sabonetes da Beth bachinni sao lindoooosss!

  4. Pingback: soap #10 Alecrim • versão 2 | supasoap

  5. Pingback: soap #4 Alecrim • 4 | supasoap

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