My first batch!

Começou hoje a minha nova experiência com sabonete feito à mão (já é ontem na real, porque estou bloggando às 4 horas da manhã)! Na verdade, começou ontem quando elaborei minha primeira receita, e hoje coloquei a mão na massa. Foi muito incrível terminar e derramar a massa do meu primeiro sabonete dentro da forma! Agora o meu bebê está enrolado numa toalha no quentinho e no escuro, descançando para passar as 24 horas necessárias antes de abrir e deformar para ver se deu certo.

Meu professor são 2 livros japoneses da mesma autora, a Yukiko Obata, uma japonesa que mora em Nova York e escreve sobre e dá aulas de sabonete feito à mão. Os livros japoneses são sempre muito bem explicados e com muitas fotos e muitas informações, além de serem bonitos no design e nas fotos. São tão bons, eu amo! Depois de ler os dois livros com cuidado e entender bem o processo de fazer um bom sabonete, resolvi entrar logo em ação e fui até a zona cerealista do centro de São Paulo para comprar os óleos e os outros ingredientes. Depois eu quis passar na Rua Paula Souza também, para comprar panela, e outros equipamentos para usar exclusivamente para fazer sabonete (por causa da soda cáustica que usamos no processo, não podem ser os que usamos para cozinhar), mas não sabia que ali fechava cedo aos sábados, todas as lojas estavam já fechadas às duas da tarde. Mas tudo bem, resolvi usar uma panela que tenho em casa e depois compro outra pra substituir para cozinhar.

Já tinha em mente que queria usar óleo de coco, azeite extravirgem e azeite de castanha do pará, e talvez algum outro óleo como o de macadâmia. Também precisava do óleo de palma, que tinha aprendido que tem a função de endurecer bem o sabonete e deixar ele difícil de desmanchar na água, mas achei que ia ser difícil de achar. Acabei comprando todos menos o de castanha do pará e o de palma, que não encontrei. Fiquei na dúvida se o óleo de palma seria igual ao azeite de dendê, já que eu acho que o dendê seja um tipo de palma, mas achei um pouco hardcore colocar azeite de dendê num sabonete! Comprei também açaí em pó, mel e calendula. Cheguei em casa e sentei para consultar um pouco mais o meu professor e depois elaborar a minha própria receita. Não é difícil, mas precisa fazer alguns cálculos porque a taxa de saponificação difere para cada óleo e com isso muda a quantidade da soda cáustica.

Então, a receita do meu primeiro sabonete eu elaborei assim:

Receita # 1 (ainda não pensei num nome para batizá-lo…)

  1. óleo de coco
  2. azeite extra virgem
  3. óleo de macadamia
  4. água purificada
  5. soda cáustica
  6. óleo essencial de laranja doce
  7. pétalas de calendula
  8. mel

Observação: descontei 10% na quantidade da soda cáustica para garantir que não tenha mais nenhum traço dela depois de todo o processo e também para deixar o sabonete “super fat”, isto é, com excesso de gordura, ou seja, de fator hidratante.

Na manhã seguinte, hora de colocar em prática toda a teoria! Coloquei a cozinha em ordem, forrei a mesa com jornal e com os dois livros numa mão, fui colocando todos os equipamentos na mesa. Balança digital, termômetro, um bowl, dois vidros, um sem tampa e outro com tampa, uma panela, um fouet, uma espátula de silicone, um par de luvas de borracha, colheres medidoras, um copo medidor, e a forma que eu confeccionei com uma caixa de leite usada. Com os ingredientes também prontos na mesa, comecei medindo a água e a soda cáustica e depois juntando as duas coisas. Era a primeira vez que eu trabalhava com soda cáustica (exceto por quando tentei desentupir um banheiro com algo parecido…) e fiquei tomando a maior precaução, mas foi tudo bem sem espirrar nem uma gota.

Assim que a soda cáustica entra em contato com a água, o líquido começa a esquentar e logo o vidro ficou bem quente. Coloquei o vidro dentro do bowl com água para baixar a temperatura para 45 ºC. Enquanto esperava, fui medindo os três óleos e juntei tudo na panela. Coloquei a panela no fogo até a mistura dos óleos atingir 45 ºC também. Assim que isso aconteceu e verifiquei que a água com a soda cáustica também estava com a mesma temperatura, derramei lentamente essa água na panela dos óleos. Imediatamente o óleo começou a ficar com uma coloração leitosa.

Desse momento em diante, eu teria que bater essa massa ainda líquida com o fouet durante uns 15 minutos, até engrossar um pouco e formar um traço fino quando levantasse o fouet e deixasse cair um fio da massa tentando desenhar um zigzag. Isso é chamado de formar um “trace”. O livro falou 15 minutos, mas na realidade, demorou mais de meia hora! É sério. Até o meu amigo Pedro me ajudou um pouco no trabalho braçal, mas realmente demorou muito. Acho que faltou braço, mas também tinha lido que o azeite é um óleo que deixa mais longo o tempo de bater. Bom, é a minha primeira vez, afinal. Tudo bem, eu fui continuando com fé até realmente o tal do “trace” aparecer.

Foi nesse momento que juntei o óleo essencial, que acabei reduzindo de duas colheres de chá para uma, por de repente achar que seria um pouco demais. Bati mais um pouco e acrescentei o mel, que dessa vez por engano medi com a colher de sopa em vez da de chá e daí acabei mudando de duas colheres de chá para uma de sopa. Dei uma esquentada de leve no mel antes de acrescentar à massa para ela ficar mais líquida e mais fácil de ser incorporada pelo resto.

Depois disso, era preciso bater por mais uns 10 minutos! Isso é para engrossar ainda mais a massa até o “trace” ficar mais gordo. Lá fui eu até atingir a espessura ideal. Não quis parar antes para não ficar um sabonete muito mole e fácil de derreter, já que eu já estava preocupada com a falta de um óleo como o de palma, com efeito endurecedor. Na verdade, o óleo de coco também tem o efeito endurecedor, mas em compensação derrete com facilidade na água, segundo meus livros professores. Num deles, a maioria das receitas apresentadas substitui o óleo de palma com banha de porco, mas se eu não como carne de porco, como é que eu iria usar a sua banha para fazer meus sabonetes? Nem pensar. Resolvi ir em frente com os óleos que eu consegui e talvez prolongar o tempo de maturação. Não sei se isso será suficiente, mas vamos ver.

Depois que eu atingi o “trace” grosso, pensei que seria hora de finalizar. Coloquei as pétalas de calendula na massa, misturei e finalmente derramei a massa na forma. Esse momento foi bem incrível! Parecia um doce de caramelo, uma consistência incrível! Só o cheiro que achei que podia ter colocado mesmo as duas colheres de chá do óleo essencial. Achei que o cheiro de laranja doce ficou apagado na mistura. Bom, mas tudo isso já anotei no caderno para servir de referência para os próximos.

Fechei a forma com filme PVC e enrolei com uma toalha para o descanço de 24 horas. A reação química de saponificação vai continuar sozinha durante esse tempo e o sabonete vai esquentar e endurecer. Amanhã vou poder abrir e conferir se deu certo, desenformar o sabonete e cortar no tamanho final dele. Depois disso, vai ficar dormindo por mais no mínimo 4 semanas para endurecer mais ainda e maturar até que a soda cáustica se transforme por completo em sabonete para finalmente poder ser usado. Uma autêntica gestação!

Enquanto isso, para não ficar ansiosa, vou elaborando outras receitas para os próximos batches! Ah, e como eu modifiquei durante a produção algumas quantidades da receita que originalmente elaborei, aqui vai a receita que de fato foi executada.

Receita # 1

  1. óleo de coco | 200g
  2. azeite extra virgem | 146g
  3. óleo de macadamia | 154g
  4. água purificada | 170g
  5. soda cáustica | 71g
  6. óleo essencial de laranja doce | 1 colheres de chá
  7. pétalas de calendula | 1 colher de sopa
  8. mel | 1 colheres de sopa

* pics by Pedro de Oliveira Pinto

Anúncios

19 Respostas para “My first batch!

  1. Omedeto!

  2. Muito bem apresentado, tanto na idéia como na forma, estilo. Fotos excelentes. A idéia é muito boa.

  3. Yatto yometa, anta no blog. Chou ii! Shashin mo sugoku kireidashi, antano coment tachi ga yoi. Dekirunoga sugoku tanoshimini nariune. Sorenishitemo kekkou jikanga kakarundane.

  4. Pingback: O primeiro sabonete a gente nunca esquece « supasoap

  5. Pingback: Ensaboando « supasoap

  6. Parabéns! As fotos estão legais e a explicação também. Eu fiz um curso semana passada e agora estou atrás da Soda Cáustica. É difícil de encontrar. Onde vc encontrou aqui em S.Paulo?

  7. Primeiramente gostaria de dar meus Parabéns !!!!!!,seu blog é demais e desejo muito sucesso na suas receitas , Estou lendo sobre sabonetes e olhando algumas receitas e vejo que algumas vão soda caustica e outras lauril ,tenho duas amigas que fazem sabonetes que fizeram o curso porém quando perguntei sobre soda me disseram que poderia fazer mal a pele , e que não utilizavam , afinal a soda pode ser usada ?qual a função dela no sabonete?

    Obrigada,
    .

    • Olá Marta! Obrigada pela visita e comentário! a maneira mais natural de se fazer sabonete é com soda, pois a soda reage com os óleos e é neutralizada, dando lugar à glicerina natural que se forma nesse processo. O sabonete assim confeccionado é maturado durante 4 semanas antes de poder usar, para ficar suave para a pele. O jeito mais natural do que isso, só com cinzas, mas haja cinza pra fazer uma quantidade razoável de sabonetes! E lauril é detergente. Arranca a sujeira da pele, mas arranca outras coisas também e deixa a pele ressecada ao longo de um período de uso. Fora que para quem é alérgico, é horrível. Quem faz sabnonete com glicerina comprada, não sabe que glicerina é feita com soda e vai saber que óleo foi usado para fazer aquela glicerina. Eu prefiro fazer do zero o meu sabonete.

  8. Muito bom seu site! Além das fotos bem nítidas e explicativas, seus comentários e descrições são ótimos. Por que to escrevendo no seu primeiro post, por que li quase todo o conteúdo, e nada melhor do que opinar do principio. À meses venho namorando o ato de fazer meus próprios sabonetes, com receitas autenticas e presenciar amigos com esse produto, que como disse: “é a invenção mais bela do homem”. Então criei coragem e to saindo daqui a pouco para comprar materia prima e utensílios para construir meu primeiro momento de experimentação no mundo da saponificação, óleos e essências. Meus parabéns pelo site, mais uma vez. E se tudo der certo, farei o meu, te mando o endereço para vê se gosta de minhas escolhas! Moro na Bahia, conheço grande parte dela, e também um pouco de São Paulo e Rio, mas vou dar um pouquinho de atenção com os aromas e sabores regionais. Até em breve, Léo.

    • Olá Leonardo, obrigada pelo comentário 🙂
      Fico feliz que você esteja começando a sua jornada! Parabéns. Vou gostar sim de ler o seu blog, quando começar. Boa sorte e bom divertimento!

  9. Pingback: SACHI sai de férias! | supasoap

  10. Pingback: 3 anos da SaChi | Pra Sempre Por Enquanto

  11. O seu blog é verdadeiramente inspirador. Fiquei curiosa com o livros que utilizou, só existem em japonês? Obrigada e muito sucesso 😊

  12. Parabéns pelo site. Estou me deliciando com os seus sabonetes. Esses livros que você menciona existem em inglês? Não estou conseguindo encontrar. Obrigada =)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s